O dólar voltou a ganhar força diante do real nesta terça-feira (3) e se aproximou da marca de R$ 5,50, enquanto a Bolsa brasileira registrou queda na retomada das negociações após o feriado de Finados. O movimento ocorre em um cenário de cautela dos investidores, que acompanham as perspectivas para a economia brasileira, a decisão do Banco Central sobre a taxa básica de juros e as eleições legislativas nos Estados Unidos.
Na abertura do mercado, a moeda norte-americana chegou a R$ 5,5126, com alta de aproximadamente 1,21%. Às 10h22, era negociada a R$ 5,483, avanço de 0,71%, segundo levantamento divulgado pelo UOL. No mesmo horário, o Ibovespa, principal índice da B3, recuava 1,45%, aos 165.488 pontos.
O cenário manteve a pressão observada na semana anterior, quando o dólar acumulou valorização superior a 9% e a Bolsa brasileira registrou uma das quedas semanais mais expressivas dos últimos anos.
Incertezas fiscais pressionam o mercado
No cenário doméstico, investidores demonstram preocupação com as perspectivas para as contas públicas e com os sinais sobre a condução da política econômica. A definição da equipe econômica e as medidas que poderão ser adotadas para controlar o endividamento do país também estão entre os fatores acompanhados pelo mercado.
O Boletim Focus divulgado pelo Banco Central nesta terça-feira apontou revisões nas expectativas dos analistas para indicadores econômicos, incluindo inflação, juros e crescimento. A elevação das projeções de inflação e da taxa Selic, acompanhada da redução da estimativa de crescimento econômico, contribui para um ambiente de maior cautela.
Quando aumenta a percepção de risco em relação à economia de um país, investidores podem reduzir a exposição a ativos locais e buscar alternativas consideradas mais seguras. Esse movimento tende a pressionar a moeda nacional e os preços das ações.
Decisão do Banco Central está no radar
Outro fator de atenção é a reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), do Banco Central, que começou nesta terça-feira. A expectativa em torno da decisão sobre a taxa Selic, prevista para quarta-feira (4), influencia as negociações.
A taxa básica de juros é um dos principais instrumentos utilizados pelo Banco Central para controlar a inflação. Mudanças nas expectativas sobre seu comportamento afetam o custo do crédito, os investimentos e a atratividade dos ativos brasileiros.
Eleições nos Estados Unidos aumentam a cautela
No cenário internacional, as eleições de meio de mandato nos Estados Unidos também estão no radar dos investidores. A votação definirá a composição do Congresso norte-americano e poderá influenciar a capacidade do governo de Donald Trump de aprovar propostas econômicas e políticas.
A combinação de incertezas externas e fatores domésticos contribui para a volatilidade nos mercados. Com isso, o comportamento do dólar e da Bolsa pode continuar sujeito a oscilações conforme forem divulgados novos indicadores e sinais das autoridades econômicas.
O mercado segue atento, principalmente, às decisões do Banco Central e às sinalizações sobre a política fiscal brasileira, fatores que podem influenciar o desempenho dos ativos nos próximos pregões.




