O café consolidou, em 2025, sua posição como principal produto do agronegócio de Minas Gerais no mercado internacional. A commodity gerou US$ 11,4 bilhões em receitas com exportações e respondeu por aproximadamente 57,2% do valor total exportado pelo setor agropecuário estadual. O resultado reforça a importância da cafeicultura para a economia mineira e para a presença do estado no comércio exterior.

Os dados divulgados pela Secretaria de Estado de Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Seapa) mostram que as exportações do agronegócio mineiro alcançaram US$ 19,8 bilhões em 2025, o maior valor da série histórica iniciada em 1997. O crescimento foi de 15,5% em relação ao ano anterior. Nesse cenário, o café permaneceu como o principal produto da pauta exportadora do setor.

Ao longo do ano, foram embarcadas 27,4 milhões de sacas de café. A receita expressiva foi influenciada, entre outros fatores, pela valorização do produto no mercado internacional. Segundo a Seapa, a redução dos estoques nos principais países produtores e a valorização dos cafés especiais contribuíram para elevar as cotações.

Minas mantém protagonismo na produção nacional

A relevância do café mineiro não se limita às exportações. Minas Gerais também ocupa a primeira posição entre os estados produtores do país, com predominância do café arábica.

O Relatório Executivo do Agronegócio de Minas Gerais 2025, elaborado pelo governo estadual com dados da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), registra produção de aproximadamente 25,8 milhões de sacas na safra de 2025. O documento aponta que, mesmo com a redução de 8,3% em relação ao ciclo anterior, o estado manteve a liderança nacional.

A queda na produção está relacionada, em parte, à bienalidade negativa do cafeeiro, característica da cultura que provoca alternância entre anos de maior e menor produtividade. As condições climáticas também influenciaram o desenvolvimento das lavouras.

Esse comportamento evidencia uma característica importante da cafeicultura: o volume colhido e a receita obtida com a comercialização não necessariamente seguem a mesma direção. Em 2025, mesmo com uma safra menor em Minas, a valorização do café contribuiu para ampliar o faturamento das exportações.

Um produto estratégico para a economia mineira

A concentração das receitas em torno do café demonstra o peso da cadeia produtiva para o agronegócio estadual. Além da produção agrícola, a atividade movimenta diferentes etapas econômicas, como beneficiamento, armazenamento, transporte, comercialização e exportação.

O produto também conecta a economia mineira a mercados internacionais. Em 2025, Alemanha e Estados Unidos estiveram entre os principais destinos do café brasileiro, segundo o relatório estadual do agronegócio.

A força da cafeicultura mineira está associada a diferentes regiões produtoras e a condições de cultivo que favorecem a produção de variedades e perfis distintos de café. A diversidade de origens também contribui para a presença de Minas Gerais no mercado de cafés especiais, segmento que agrega valor ao produto e amplia oportunidades comerciais.

Dependência e oportunidades de diversificação

Embora o desempenho do café represente uma vantagem competitiva para Minas Gerais, a concentração de mais da metade das receitas externas do agronegócio em um único produto também evidencia a exposição do setor às oscilações do mercado internacional.

Preços, estoques globais, condições climáticas e variações na produção dos principais países fornecedores podem influenciar diretamente o faturamento da cadeia. Por isso, a diversificação da pauta exportadora e o fortalecimento de outros segmentos agropecuários também são relevantes para a economia estadual.

Em 2025, além do café, o agronegócio mineiro registrou exportações expressivas de carnes, complexo soja e produtos do setor sucroalcooleiro. O conjunto dessas atividades mostra que, embora o café seja o principal destaque, a economia rural de Minas Gerais possui outras cadeias com participação importante no comércio exterior.

O desempenho de 2025 confirma, portanto, a posição estratégica da cafeicultura para Minas Gerais. Mais do que liderar a produção nacional, o estado mantém no café um dos principais motores de suas exportações agropecuárias e um produto de forte presença no mercado internacional.