De Diamantina a Almenara, o território mostra uma combinação menos conhecida de patrimônio, agricultura, artesanato, mineração, serviços e novos investimentos — sem que antigos problemas tenham desaparecido.
Há uma imagem do Vale do Jequitinhonha que se consolidou durante décadas no imaginário brasileiro. É a de uma região pobre, seca, rural e distante dos grandes centros, frequentemente apresentada como sinônimo das carências do interior brasileiro. Essa imagem não nasceu do nada. O vale conviveu — e ainda convive — com desigualdades, limitações de infraestrutura, dificuldades de acesso a serviços e longos períodos de estiagem.
Mas ela se tornou pequena demais para explicar o que está acontecendo ali.
Um percurso por Diamantina, Capelinha, Turmalina, Araçuaí, Itinga e Almenara revela uma região muito mais heterogênea do que o estereótipo sugere.
Há cidades em que patrimônio histórico e universidade ajudam a sustentar uma economia baseada em serviços e turismo. Outras têm na cafeicultura uma atividade cada vez mais sofisticada.
Em algumas comunidades, o artesanato em barro permanece uma atividade econômica e cultural central. Mais ao nordeste, a mineração de lítio está alterando mercados de trabalho e atraindo investimentos.
E, ao mesmo tempo, obras de infraestrutura, saúde, saneamento e irrigação começam a redesenhar condições básicas para o desenvolvimento.
Não é uma transformação linear. Nem uma história de superação pronta.
É, antes, um território em disputa entre oportunidades antigas e novas — e entre o potencial econômico que avança e problemas estruturais que continuam esperando solução.
Diamantina: patrimônio que deixou de ser apenas passado
É difícil começar a percorrer o Jequitinhonha sem passar por Diamantina.
A cidade ocupa um lugar singular na região. Seu centro histórico é reconhecido pela Unesco como Patrimônio Mundial desde 1999, e o conjunto urbano continua sendo uma das principais referências brasileiras de preservação histórica. O reconhecimento internacional, porém, não congelou a cidade no século XVIII. Ao contrário, nos últimos anos, o patrimônio passou a ser tratado também como infraestrutura de desenvolvimento, turismo e atividade econômica.
Em 2025, Diamantina recebeu 69 novas placas e totens de sinalização turística, com QR codes direcionando visitantes a conteúdos digitais sobre os bens históricos. A iniciativa do Iphan e da Organização das Cidades Brasileiras Patrimônio Mundial foi apresentada como uma forma de melhorar a experiência de visitação e estimular maior permanência e consumo no comércio local.
Em março de 2026, outra frente de preservação ganhou visibilidade. O Iphan entregou restaurado o antigo Hotel Roberto, imóvel que já havia abrigado residência e a primeira agência dos Correios da cidade e que funcionou como hotel até a década de 1970. A restauração, financiada pelo Novo PAC, custou cerca de R$ 2,6 milhões. A Antiga Intendência e a Casa da Cultura também estavam entre os imóveis contemplados por obras de restauração, incluindo a previsão de transformar a Antiga Intendência em centro de artesanato e memorial histórico.
É uma mudança de perspectiva importante.
O patrimônio deixa de ser somente aquilo que precisa ser preservado e passa a ser também aquilo que precisa encontrar uma função contemporânea.
Diamantina tinha 49.493 habitantes na estimativa do IBGE para 2025 e um PIB per capita de R$ 34,5 mil em 2023.
São números que ajudam a colocar a cidade em contexto, mas não contam toda a história.
O que se vê é uma economia regional em que turismo, educação, comércio, serviços e patrimônio convivem com atividades tradicionais. A presença da UFVJM também ajuda a ampliar o papel de Diamantina como polo de formação e conhecimento no território.
A cidade, portanto, é uma porta de entrada para uma primeira constatação: o Jequitinhonha não pode ser entendido apenas a partir do que lhe falta.
Capelinha: onde o café mudou o desenho da economia
Saindo de Diamantina e avançando pelo alto Jequitinhonha, a paisagem econômica começa a mudar.
Em Capelinha, a cafeicultura ocupa espaço central. O município está situado em área de relevo elevado, com lavouras entre aproximadamente 900 e 1.200 metros de altitude, condição que favorece a produção de cafés de qualidade.
A cidade tinha população estimada em 41.858 habitantes em 2025, segundo o IBGE, e PIB per capita de R$ 28.058 em 2023.
Mas o dado mais interessante não é simplesmente a presença do café. É a transformação da própria ideia de agricultura em uma região historicamente associada a limitações climáticas.
Em 2025, uma nova cultivar desenvolvida pela Epamig, a MGS Epamig Amarelão, passou a chamar atenção justamente no Vale do Jequitinhonha por combinar tolerância à seca, resistência a doenças e qualidade da bebida. O registro ocorreu em novembro daquele ano, e a variedade vinha sendo observada especialmente na região
Isso revela uma das mudanças mais importantes do vale: ciência e agricultura estão começando a se encontrar de maneira mais evidente.
A questão deixa de ser somente produzir apesar das condições do território.
Passa a ser também produzir a partir das características do território.
Essa lógica é fundamental em uma região sujeita a irregularidade climática. Cultivares adaptadas, irrigação, manejo técnico e agregação de valor podem ser mais decisivos do que simplesmente expandir a área plantada.
E há ainda uma dimensão econômica.
Quando um produtor deixa de vender apenas uma commodity e passa a trabalhar com qualidade, origem, processamento e diferenciação, a mesma terra pode gerar uma atividade de maior valor agregado.
Não significa que todos os produtores estejam nesse estágio. Longe disso.
Mas o movimento existe — e é importante porque rompe com outra ideia antiga sobre o Jequitinhonha: a de que sua economia rural é necessariamente sinônimo de baixa produtividade e pouca sofisticação.
Turmalina: o barro que virou patrimônio
Poucos lugares ajudam a compreender melhor a relação entre cultura e economia no vale do que Turmalina.
O município tinha 20.769 habitantes estimados em 2025.
Mas, mais do que seus números, Turmalina é conhecida pelas comunidades onde o artesanato em cerâmica continua sendo parte da vida econômica e cultural.
O próprio município trabalha com uma modalidade de turismo de base comunitária nas comunidades de Campo Alegre, Poço d'Água e Campo Buriti. Ali, o artesanato em cerâmica é atividade central de muitas famílias, e o visitante pode conhecer as etapas de produção, da retirada do barro à queima das peças.
O Estado reconheceu a dimensão cultural desse trabalho há alguns anos. O artesanato em barro do Vale do Jequitinhonha é patrimônio cultural imaterial de Minas Gerais desde 2018, segundo o IEPHA. O órgão registra o domínio das artesãs sobre praticamente todas as etapas do processo, incluindo extração do barro, modelagem, pintura e construção dos fornos.
É difícil encontrar uma definição melhor para a complexidade do vale.
Em Turmalina, tradição não é simplesmente uma lembrança do passado. Ela é uma atividade econômica contemporânea.
A argila, as técnicas de modelagem, os pigmentos e os desenhos carregam memória, mas também circulam em mercados que ultrapassam as fronteiras do município. O próprio Governo de Minas já destacou internacionalmente o trabalho de artesãs de Campo Alegre, incluindo peças produzidas com pigmentos naturais de origem mineral.
Há uma contradição interessante aí.
Quanto mais o artesanato do Jequitinhonha se torna conhecido fora da região, maior é a oportunidade econômica. Mas também cresce a necessidade de preservar o conhecimento que dá sentido às peças.
Transformar a tradição em produto sem esvaziá-la talvez seja um dos desafios mais delicados para uma região que tenta ampliar suas fontes de renda sem abrir mão de sua identidade.
Araçuaí: o município onde a mudança econômica ficou visível
Mais ao norte, o cenário muda novamente.
Araçuaí é um dos municípios onde a transformação econômica recente se tornou mais perceptível por causa do avanço da exploração de lítio.
O projeto Vale do Lítio, lançado pelo Governo de Minas em 2023, passou a concentrar investimentos e esforços de atração de empresas para a região. Segundo dados apresentados pelo governo em 2026, o PIB do Vale do Jequitinhonha alcançou R$ 12,56 bilhões em 2023.
Em Araçuaí, o número de trabalhadores formais na indústria passou de 312 em 2020 para 728 em 2024, de acordo com levantamento divulgado pelo Governo de Minas. Em Itinga, outro município fortemente ligado à cadeia mineral, os empregos formais na indústria cresceram 100,9% em 2023, chegando a 722 postos.
É difícil encontrar indicador mais direto de transformação.
O minério começa a alterar o mercado de trabalho.
Mas o impacto não termina na mina.
Em abril de 2026, o Governo de Minas e a Prefeitura de Araçuaí firmaram acordo para viabilizar R$ 17 milhões para a reforma do aeroporto municipal, justificando o investimento pela necessidade de ampliar logística, turismo e capacidade de atração de investimentos em uma região impulsionada pelo Vale do Lítio.
Na área da saúde, também houve movimento.
Em abril, o Estado anunciou R$ 5 milhões para a construção de um serviço de hemodiálise no Hospital São Vicente de Paulo, com previsão de atender cerca de 80 mil pessoas de Araçuaí e municípios do entorno.
Esses dois anúncios — aeroporto e hemodiálise — contam uma história maior.
Desenvolvimento regional não é apenas atrair uma empresa.
É criar condições para que uma região consiga absorver aquilo que o investimento traz.
Uma nova atividade econômica pode gerar empregos, demanda por serviços e arrecadação. Mas também aumenta a pressão sobre estradas, saúde, moradia, hospedagem, comércio e qualificação profissional.
É por isso que Araçuaí talvez seja o melhor lugar para observar a pergunta que estará presente no restante dessa viagem:
a riqueza que chega está criando uma economia local mais diversificada ou apenas aumentando o valor de uma atividade concentrada?
Ainda não existe uma resposta definitiva.
Itinga: a riqueza mineral encontra um território pequeno
Vizinha de Araçuaí, Itinga representa outra escala.
O município tinha apenas 13.954 habitantes na estimativa de 2025.
É justamente essa dimensão que torna os efeitos da mineração particularmente relevantes.
Quando uma cidade pequena recebe uma atividade econômica de grande escala, o impacto proporcional pode ser muito maior do que em um centro urbano já diversificado.
Mais empregos significam mais consumo.
Mais consumo pressiona serviços.
Mais trabalhadores podem significar mais demanda habitacional.
Mais circulação de renda pode estimular comércio e serviços.
Mas também pode aumentar custos e criar dependência econômica.
Os números dos empregos industriais sugerem uma mudança rápida.
Ao mesmo tempo, Itinga preserva uma relação profunda com a cultura material do vale. O IEPHA registra artesãos do município entre os nomes ligados ao patrimônio do artesanato em barro regional.
É uma convivência que resume bem o momento atual.
De um lado, a economia mineral, associada à transição energética global.
De outro, uma tradição artesanal transmitida de geração em geração.
Duas economias com tempos completamente diferentes ocupando o mesmo território.
E uma delas trabalha com um recurso que existe há bilhões de anos; a outra, com conhecimentos humanos que atravessaram gerações.
Almenara: infraestrutura como condição para o desenvolvimento
Na direção de Almenara, o vale começa a apresentar outra característica.
Aqui, a discussão sobre transformação passa menos pela imagem de polos tecnológicos e mais pela infraestrutura necessária para conectar uma economia regional dispersa.
Em março de 2026, o Governo de Minas anunciou R$ 100 milhões para o asfaltamento de 35 quilômetros da MGC-251, entre Almenara e o distrito de Pedra Grande. A previsão apresentada pelo governo é de início das obras no segundo semestre de 2026, com duração estimada em dois anos.
Para uma região onde distâncias e condições das estradas influenciam diretamente o acesso a mercados, saúde, educação e serviços, uma obra rodoviária pode ter efeito mais profundo do que parece.
Não é apenas asfalto.
É tempo de deslocamento.
É custo logístico.
É acesso.
É possibilidade de circulação.
Almenara também aparece em outra frente de infraestrutura: em janeiro de 2026, a Copasa concluiu obras de modernização das estações de tratamento de esgoto de Almenara, Joaíma, Mata Verde, Medina e Pedra Azul, com investimento superior a R$ 6 milhões, beneficiando cerca de 111 mil moradores.
A cidade tinha 42.019 habitantes estimados em 2025 e PIB per capita de R$ 20.164 em 2023, abaixo dos valores registrados em Araçuaí, Capelinha e Diamantina.
Os números ajudam a mostrar que a transformação não acontece ao mesmo tempo nem da mesma maneira.
Enquanto Araçuaí vive o impacto direto do lítio, Almenara ainda precisa resolver gargalos fundamentais de infraestrutura.
Isso também é desenvolvimento.
Às vezes, a mudança mais importante de uma região não está no anúncio de uma grande empresa, mas em uma estrada que finalmente encurta uma viagem ou em um sistema de saneamento que melhora uma cidade inteira.
Irrigação, produção e a velha questão da água
Existe um elemento que atravessa praticamente todas as conversas sobre o Jequitinhonha: água.
O discurso sobre desenvolvimento costuma chegar antes de soluções estruturais para a segurança hídrica, e isso cria uma contradição permanente.
Como ampliar agricultura, indústria, turismo e população sem enfrentar a vulnerabilidade hídrica?
Em junho de 2026, o Governo de Minas anunciou a entrega de 1.045 kits de irrigação para produtores de 24 municípios do Vale do Jequitinhonha, principalmente voltados ao cultivo de hortaliças e frutas. A medida foi apresentada como forma de fortalecer produção, renda e segurança alimentar.
A escala é relevante, mas também revela o tamanho do desafio.
Em uma região extensa e heterogênea, iniciativas de irrigação podem aumentar produtividade e permitir maior regularidade da produção. Mas elas não substituem políticas de segurança hídrica de longo prazo.
A questão não é simplesmente ter água para produzir.
É ter água de forma previsível, acessível e sustentável.
Esse talvez seja um dos poucos pontos em que a imagem tradicional do Jequitinhonha continua encontrando a realidade atual: a vulnerabilidade climática permanece sendo um fator estruturante.
A diferença é que hoje ela convive com uma gama muito maior de ferramentas, conhecimentos e investimentos para enfrentá-la.
O vale não é uma coisa só
Os seis municípios desta reportagem não formam uma sequência perfeitamente uniforme.
E essa é justamente a questão.
Diamantina tem patrimônio mundial, turismo e serviços.
Capelinha encontrou no café uma atividade de forte identidade regional e crescente sofisticação.
Turmalina transforma artesanato e turismo comunitário em economia e preservação cultural.
Araçuaí vive uma aceleração econômica ligada ao lítio e também recebe investimentos em infraestrutura e saúde.
Itinga experimenta os efeitos proporcionais de uma grande atividade mineral em um município pequeno.
Almenara mostra como rodovias e saneamento permanecem decisivos para qualquer estratégia de desenvolvimento.
Não existe uma única economia do Jequitinhonha.
Existem várias.
Essa talvez seja uma das principais conclusões que o território oferece a quem decide abandonar as classificações rápidas.
A região está crescendo — mas a pergunta é como
O entusiasmo com o lítio precisa ser observado com a mesma atenção dedicada às limitações históricas do vale.
O próprio Governo de Minas afirma que o Vale do Lítio já atraiu bilhões de reais e milhares de empregos diretos desde o lançamento do programa.
Mas crescimento econômico não é sinônimo automático de desenvolvimento humano.
Uma região pode aumentar seu PIB e continuar enfrentando dificuldades em educação, saúde, saneamento, renda ou infraestrutura.
É justamente por isso que os indicadores municipais continuam importantes.
O IBGE mostra diferenças significativas entre os municípios. Em 2023, o PIB per capita era de R$ 34,5 mil em Diamantina, R$ 31,5 mil em Araçuaí, R$ 28 mil em Capelinha, R$ 24,3 mil em Turmalina e R$ 20,2 mil em Almenara.
Esses números não devem ser lidos como um ranking simplista de cidades melhores ou piores. PIB per capita não mede, sozinho, qualidade de vida.
Mas eles ajudam a demonstrar que o território possui diferenças econômicas relevantes.
E mostram também que não existe uma única fórmula de desenvolvimento regional.
Entre o estigma e a oportunidade
O Vale do Jequitinhonha carregou por décadas o peso de ser apresentado de fora para dentro.
Era definido pelos indicadores ruins.
Pela seca.
Pela pobreza.
Pelo êxodo.
Pelas imagens de comunidades rurais.
Tudo isso existe.
Seria irresponsável negar.
Mas transformar essas dificuldades em identidade permanente produz outro tipo de distorção: faz parecer que nada mudou.
E muita coisa mudou.
Mudou a economia de alguns municípios.
Mudou o perfil de parte da agricultura.
Mudou o mercado de trabalho.
Mudou a infraestrutura em determinados pontos.
Mudaram as possibilidades de turismo.
Mudou o lugar da universidade.
Mudou a relação entre artesanato e mercado.
E agora há uma nova variável de enorme peso: a cadeia do lítio.
Mas também seria igualmente errado substituir o velho estereótipo por uma narrativa otimista demais.
O Jequitinhonha não virou uma nova fronteira de riqueza simplesmente porque empresas chegaram.
Ainda existe uma longa distância entre potencial econômico e desenvolvimento distribuído.
Essa distância será medida pela qualidade dos serviços públicos, pela capacidade de formação profissional, pela diversificação econômica, pela segurança hídrica, pela preservação ambiental e pela capacidade de fazer com que mais dinheiro circule e permaneça nos municípios.
Uma região que começa a contar outra história
No fim dessa travessia por seis cidades, o que se percebe é que a transformação do Jequitinhonha não acontece em um único setor.
Ela está espalhada.
Está na lavoura de café que procura variedades adaptadas à seca.
Na artesã que transforma barro em patrimônio e renda.
No pesquisador que leva conhecimento para dentro do território.
Na empresa que contrata trabalhadores onde antes havia poucas oportunidades.
No hospital que passa a oferecer um serviço antes inexistente.
Na estrada que pode reduzir horas de deslocamento.
Na estação de tratamento de esgoto que melhora a infraestrutura urbana.
No turista que deixa de enxergar apenas uma cidade histórica e começa a conhecer comunidades e paisagens.
É uma transformação ainda incompleta, desigual e cheia de riscos.
Mas é real.
Talvez o maior erro seja continuar descrevendo o Vale do Jequitinhonha apenas pelo que ele foi.
O território já oferece outra história: a de uma região que preserva suas memórias enquanto tenta construir novas bases econômicas; que convive com problemas antigos ao mesmo tempo em que recebe investimentos ligados a uma economia global; que mantém o artesanato ao lado da mineração; a agricultura ao lado da pesquisa; o patrimônio ao lado de novas obras.
O Jequitinhonha não deixou de ser um território de desafios.
Ele simplesmente deixou de caber na antiga descrição que fizeram dele.
E talvez essa seja a transformação mais importante: quando uma região começa a mudar, muda também a forma como ela precisa ser contada.




