O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou na quinta-feira (29) que pretende conversar com Luiz Inácio Lula da Silva (PT), reeleito presidente do Brasil no segundo turno das eleições, realizado em 25 de outubro. Apesar de sinalizar a intenção de dialogar com o brasileiro, o republicano voltou a questionar o processo eleitoral e classificou a votação como uma “vergonha”.

A declaração foi feita a jornalistas antes de Trump embarcar para a Carolina do Sul. Questionado se telefonaria para Lula para parabenizá-lo pela vitória, o presidente norte-americano respondeu que conversaria com o petista, mas criticou novamente a eleição brasileira.

Trump também afirmou que Lula teria pedido que ele não tomasse partido durante a disputa. Segundo o norte-americano, ele teria respeitado essa orientação, mas considerou o resultado eleitoral constrangedor para o povo brasileiro.

Trump evita reconhecer diretamente a vitória de Lula

Durante a conversa com jornalistas, Trump foi questionado sobre quem considera o vencedor legítimo da eleição presidencial brasileira. O presidente dos Estados Unidos evitou responder diretamente e não declarou reconhecer a vitória de Lula.

A postura mantém a ambiguidade demonstrada pelo republicano desde o encerramento da votação. Embora tenha afirmado que pretende conversar com o presidente brasileiro, Trump voltou a fazer críticas ao processo eleitoral sem apresentar elementos que comprovem as suspeitas levantadas.

Essa foi a quinta vez que o norte-americano comentou publicamente o resultado do segundo turno, segundo levantamentos da imprensa brasileira.

Questionamento envolve horário de votação

Parte das críticas de Trump está relacionada à ampliação do horário de votação no segundo turno.

No domingo (25), diante de restrições na circulação do transporte coletivo em diferentes cidades, o ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou a extensão do horário de votação por duas horas, até as 19h.

Na segunda-feira (26), Trump já havia questionado a medida e afirmado, sem apresentar provas, que a eleição parecia ter sido fraudada.

A extensão do horário foi uma decisão judicial tomada em meio às dificuldades de deslocamento registradas no dia da votação. A crítica do presidente norte-americano, por si só, não comprova a existência de fraude ou irregularidade no resultado.

Reações no Brasil

As declarações de Trump também provocaram manifestações de autoridades e lideranças políticas brasileiras.

O vice-presidente Geraldo Alckmin classificou como equivocada a opinião do presidente norte-americano e afirmou que ele não deveria interferir na política brasileira.

Outros representantes políticos também defenderam o respeito ao resultado das urnas. O presidente do PL, Valdemar Costa Neto, reconheceu a vitória de Lula, enquanto o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, afirmou que o resultado precisava ser respeitado.

Conversa entre os presidentes ainda não tem data

Apesar de afirmar que pretende conversar com Lula, Trump não informou quando o contato deverá ocorrer. Também não esclareceu se a conversa terá como objetivo tratar diretamente das críticas feitas ao processo eleitoral brasileiro.

A declaração ocorre em um momento de atenção às relações entre Brasil e Estados Unidos, especialmente diante das manifestações do governo norte-americano sobre a política brasileira.

Enquanto o diálogo entre os dois presidentes permanece sem data definida, as críticas de Trump continuam no centro do debate sobre o reconhecimento internacional do resultado das eleições de 2026.