Abóboras iluminadas, fantasias de bruxas, fantasmas, esqueletos e personagens de histórias assustadoras ocupam vitrines, escolas, bares, espaços culturais e festas temáticas no dia 31 de outubro. Conhecido no Brasil como Dia das Bruxas, o Halloween tornou-se uma das celebrações populares mais reconhecidas internacionalmente. Sua presença vai muito além das brincadeiras de pedir doces ou das festas à fantasia: a data carrega uma trajetória histórica que atravessa antigas tradições europeias, práticas religiosas, narrativas populares e a expansão da indústria cultural.
Em Minas Gerais, a comemoração aparece em diferentes formatos. Há eventos destinados às crianças, festas noturnas, concursos de fantasias, oficinas artísticas, apresentações musicais e experiências inspiradas no universo do suspense. Em algumas iniciativas, o tema também se aproxima de histórias de assombração e do imaginário popular, criando possibilidades de diálogo entre uma celebração internacional e as referências culturais presentes no território mineiro.
Para compreender como o Halloween chegou ao formato atual, entretanto, é necessário voltar muitos séculos no tempo, até as tradições dos povos celtas e ao festival conhecido como Samhain.
Samhain: a passagem entre as estações e o mundo dos mortos
A origem histórica do Halloween é frequentemente associada ao Samhain, uma antiga celebração dos povos celtas que habitavam regiões da Europa ocidental, especialmente áreas correspondentes à atual Irlanda, Escócia e partes da Grã-Bretanha.
A palavra Samhain é geralmente interpretada como “fim do verão” na tradição linguística irlandesa. O festival marcava uma importante transição no calendário sazonal: o encerramento do período de colheitas, a preparação para o inverno e a passagem para a metade mais escura do ano.
Para comunidades cuja sobrevivência dependia diretamente da agricultura e da criação de animais, essa mudança tinha significado prático e simbólico. Era o momento de recolher os últimos produtos das lavouras, armazenar alimentos, organizar os rebanhos e preparar as comunidades para os meses de frio, quando as condições de produção e deslocamento se tornavam mais difíceis.
O Samhain também estava associado a crenças sobre a relação entre os vivos e os mortos. Segundo tradições registradas em narrativas irlandesas medievais, esse período era considerado especialmente propício à aproximação entre o mundo humano e o sobrenatural. Espíritos, seres encantados e outras entidades do imaginário celta poderiam atravessar os limites entre os mundos.
Essas crenças ajudaram a formar a dimensão misteriosa que, séculos depois, continuaria presente no Halloween.
É importante, entretanto, fazer uma distinção histórica: boa parte do conhecimento escrito sobre as celebrações celtas chegou até os pesquisadores por meio de textos registrados muitos séculos depois dos períodos em que essas práticas teriam surgido. Não existe uma descrição contemporânea completa que permita reconstruir todos os rituais do Samhain em seus detalhes originais. Por isso, algumas explicações populares sobre a festa devem ser compreendidas como interpretações de tradições posteriores, e não como uma descrição definitiva de um ritual único e uniforme.
A relação entre o Samhain e o Halloween é historicamente significativa, mas a celebração contemporânea não é uma reprodução intacta da antiga festividade celta.
Fogueiras, oferendas e a presença do sobrenatural
Entre os elementos tradicionalmente associados ao Samhain estão as grandes fogueiras comunitárias. O fogo possuía diferentes significados simbólicos: podia representar proteção, purificação, renovação e a passagem para um novo ciclo.
Relatos históricos e estudos sobre as tradições irlandesas descrevem celebrações com reuniões coletivas, banquetes e práticas relacionadas à proteção contra entidades sobrenaturais. Em algumas tradições, alimentos eram deixados para os espíritos ou para os familiares falecidos, enquanto máscaras e disfarces eram utilizados em costumes destinados a confundir ou afastar seres considerados perigosos.
A ideia de que a fronteira entre os vivos e os mortos se tornava mais permeável durante esse período também contribuiu para a associação do festival com o sobrenatural.
Essa relação com a morte, entretanto, não deve ser reduzida à imagem moderna de monstros e criaturas malignas. O Samhain estava relacionado à passagem das estações, à memória dos mortos, à organização da vida comunitária e às incertezas diante do inverno.
A atmosfera de mistério que hoje caracteriza o Halloween é uma das heranças culturais dessa antiga associação entre a mudança da natureza e o mundo espiritual.
Do Samhain ao Halloween: a influência do calendário cristão
A transformação do Samhain em uma celebração associada ao calendário cristão ocorreu ao longo de muitos séculos.
Na tradição católica, o dia 1º de novembro passou a ser dedicado à celebração de Todos os Santos. A noite anterior à celebração passou a ser chamada de All Hallows' Eve, expressão inglesa que significa véspera de Todos os Santos. Com o passar do tempo, a expressão foi abreviada até chegar à palavra Halloween.
O dia 2 de novembro, por sua vez, ficou associado à Comemoração de Todos os Fiéis Defuntos, também conhecida como Dia de Finados. A data é dedicada à memória e às orações pelos mortos.
O encontro entre as tradições cristãs e costumes populares anteriores produziu uma mistura de práticas religiosas, crenças locais e narrativas sobrenaturais. Em vez de desaparecer completamente, elementos associados às antigas celebrações sazonais permaneceram em diferentes costumes europeus.
A relação entre o Samhain e o calendário cristão, portanto, não deve ser entendida como uma simples substituição de uma festa por outra. Foi um processo histórico complexo, marcado por adaptações, permanências e transformações culturais.
Como surgiram as fantasias, as abóboras e o pedido de doces?
Alguns dos símbolos mais conhecidos do Halloween possuem histórias próprias e ajudam a compreender como a celebração adquiriu suas características atuais.
As fantasias e as máscaras
O costume de usar disfarces está relacionado a antigas práticas populares europeias. Na Irlanda e na Escócia, tradições conhecidas como guising envolviam pessoas que percorriam comunidades usando fantasias, máscaras ou roupas diferentes, realizando apresentações, cantando ou contando histórias em troca de alimentos e pequenas recompensas.
Com o tempo, esses costumes passaram a integrar as celebrações de Halloween, especialmente entre crianças e jovens. A fantasia moderna, que inclui personagens de filmes, super-heróis, criaturas sobrenaturais e figuras históricas, também foi profundamente influenciada pela cultura de entretenimento.
As lanternas de abóbora
As tradicionais abóboras iluminadas, conhecidas como jack-o'-lanterns, também possuem uma origem ligada às tradições irlandesas.
Antes da popularização das abóboras, eram utilizados vegetais como nabos e outros tubérculos, nos quais as pessoas esculpiam rostos assustadores e colocavam pequenas fontes de luz.
Uma das narrativas associadas ao nome jack-o'-lantern é a lenda irlandesa de Stingy Jack, personagem que teria enganado o diabo e, depois da morte, sido condenado a vagar carregando uma brasa dentro de um vegetal escavado.
A história pertence ao campo do folclore, e suas versões variam. Com a imigração irlandesa para os Estados Unidos, a tradição encontrou nas abóboras um material mais abundante e fácil de esculpir. O vegetal acabou se transformando em um dos principais símbolos visuais da festa.
Doces ou travessuras
A brincadeira conhecida em inglês como trick-or-treat também tem uma trajetória formada por diferentes costumes.
Na Europa medieval, existiam práticas em que pessoas, especialmente crianças e indivíduos mais pobres, percorriam casas pedindo alimentos em troca de orações pelos mortos ou pequenas apresentações. Outras tradições envolviam disfarces e visitas de porta em porta.
Nos Estados Unidos, o costume ganhou popularidade especialmente no século XX. Depois da Segunda Guerra Mundial, com a expansão dos bairros residenciais e a maior disponibilidade de doces industrializados, o pedido de guloseimas de casa em casa se consolidou como uma das atividades mais características do Halloween infantil.
A brincadeira também passou a funcionar como uma forma de organizar a participação das crianças nas comemorações comunitárias.
A imigração irlandesa e a expansão do Halloween nos Estados Unidos
A chegada de imigrantes irlandeses e escoceses aos Estados Unidos, especialmente durante o século XIX, foi importante para a expansão do Halloween no continente americano.
Essas comunidades levaram consigo costumes relacionados às fantasias, às histórias de assombração, às lanternas e às celebrações de outono. Em território norte-americano, as tradições passaram por adaptações e se misturaram a outros costumes locais.
Ao longo do século XX, o Halloween tornou-se uma celebração de grande alcance popular. Escolas, associações de bairro, empresas, comerciantes e meios de comunicação passaram a incorporar a data ao calendário de atividades.
A indústria de doces, a fabricação de fantasias, a decoração temática e a produção audiovisual contribuíram para transformar o Halloween em um fenômeno cultural e comercial.
O cinema e a televisão tiveram papel especialmente importante nesse processo. Personagens de terror, famílias excêntricas, bruxas, vampiros, monstros e criaturas fantásticas passaram a fazer parte da identidade visual da celebração, influenciando a maneira como diferentes gerações passaram a imaginar o Dia das Bruxas.
O Halloween no cinema: quando o medo se transforma em entretenimento
O cinema ajudou a construir boa parte do imaginário contemporâneo do Halloween. Embora nem todos os filmes relacionados à data tenham suas histórias ambientadas em 31 de outubro, muitas produções exploram elementos que se tornaram associados à celebração: fantasmas, bruxas, monstros, casas assombradas, criaturas sobrenaturais e a sensação de que algo inexplicável pode acontecer durante a noite.
Um dos títulos mais diretamente ligados à data é Halloween — A Noite do Terror (1978), dirigido por John Carpenter. A produção acompanha Michael Myers, que retorna à cidade de Haddonfield durante a noite de Halloween. O filme ajudou a estabelecer características importantes do cinema de terror e influenciou diversas produções posteriores do gênero.
A importância cinematográfica da obra também foi reconhecida pela Biblioteca do Congresso dos Estados Unidos, que a incluiu no National Film Registry, programa dedicado à preservação de filmes considerados relevantes para a história cultural e cinematográfica do país.
Outra produção muito associada à temporada é Abracadabra (Hocus Pocus, 1993). A história acompanha três irmãs bruxas que retornam à vida em Salem, nos Estados Unidos, e encontram um mundo muito diferente daquele em que viveram. Com humor, magia e referências às tradições de Halloween, o filme se tornou presença recorrente nas programações da época.
Já O Estranho Mundo de Jack (The Nightmare Before Christmas, 1993), dirigido por Henry Selick e produzido a partir de uma história de Tim Burton, constrói um universo no qual o personagem Jack Skellington, responsável pelas celebrações de Halloween, descobre o Natal e tenta incorporar aquela festividade ao seu próprio mundo.
A animação é particularmente interessante porque explora a relação entre duas celebrações e trabalha visualmente com elementos góticos, música, fantasia e identidade cultural.
Outra obra que dialoga com o imaginário sombrio é A Família Addams. Seja nas produções cinematográficas, nas animações ou nas adaptações para a televisão, a família apresenta uma inversão bem-humorada dos padrões convencionais: aquilo que costuma ser considerado estranho, assustador ou macabro é tratado como parte natural de sua vida cotidiana.
A franquia ganhou novas gerações de espectadores com as adaptações cinematográficas e, mais recentemente, com a série Wandinha (Wednesday), que acompanha a personagem Wednesday Addams em uma escola marcada por mistérios e acontecimentos sobrenaturais.
Também merece destaque Coraline e o Mundo Secreto (2009). Embora não seja uma história especificamente sobre o Halloween, a animação explora uma atmosfera de mistério, personagens inquietantes e uma realidade paralela que se aproxima do universo do fantástico e do terror.
Essas produções demonstram como o cinema transformou elementos antigos do imaginário sobrenatural em narrativas capazes de alcançar públicos de diferentes idades.
Séries e animações que transformaram o Halloween em tradição televisiva
A televisão também ajudou a consolidar o Halloween como uma ocasião especial para contar histórias de mistério e fantasia.
Um dos exemplos mais conhecidos é It's the Great Pumpkin, Charlie Brown (1966), especial animado em que Linus espera a chegada da Grande Abóbora em um campo, enquanto os demais personagens participam das atividades tradicionais da data. A produção se tornou uma referência da programação televisiva de Halloween nos Estados Unidos.
Outro exemplo é Os Simpsons, que desde 1990 apresenta os episódios especiais conhecidos como Treehouse of Horror. Neles, a família Simpson participa de histórias inspiradas em filmes de terror, literatura fantástica, ficção científica e lendas sobrenaturais. A série utiliza o Halloween como oportunidade para parodiar produções conhecidas e explorar diferentes estilos narrativos.
Na animação, As Terríveis Aventuras de Billy e Mandy utiliza criaturas sobrenaturais e situações macabras em episódios de humor. Já A Árvore do Halloween (The Halloween Tree, 1993), animação baseada no livro de Ray Bradbury, percorre diferentes referências históricas e culturais relacionadas às origens da celebração.
Entre as séries de fantasia e suspense, O Mundo Sombrio de Sabrina explora bruxaria, rituais, conflitos sobrenaturais e referências ao imaginário das bruxas. Stranger Things, por sua vez, incorporou a estética do Halloween em episódios ambientados durante a celebração, especialmente na segunda temporada, quando os personagens aparecem fantasiados e a atmosfera de outono se mistura aos acontecimentos sobrenaturais da narrativa.
Essas obras ajudaram a aproximar o Halloween de públicos que talvez não participassem diretamente das festas, mas passaram a reconhecer a data por meio de personagens, trilhas sonoras, cenários e histórias transmitidas pela televisão e pelos serviços de streaming.
E no Brasil? O encontro entre Halloween e Dia do Saci
No Brasil, o Halloween ganhou popularidade principalmente por influência da televisão, do cinema, da música, das escolas de idiomas e da circulação de produtos culturais estrangeiros.
Festas à fantasia, decoração temática, concursos de fantasias e atividades escolares passaram a integrar o calendário de outubro em diferentes regiões do país.
Mas o dia 31 de outubro também é associado a uma iniciativa de valorização do folclore brasileiro: o Dia do Saci.
A proposta surgiu no início dos anos 2000, em movimentos culturais que buscavam ampliar o espaço de personagens e narrativas nacionais no calendário de celebrações. O Saci, figura conhecida por suas travessuras, seu gorro vermelho e sua presença nas histórias populares, foi escolhido como símbolo dessa mobilização.
Em 2003, foram apresentados projetos na Câmara dos Deputados com a proposta de instituir o Dia do Saci em 31 de outubro. Um deles foi o Projeto de Lei 2.479/2003, que buscava estabelecer a comemoração. O projeto passou por comissão, mas acabou arquivado. Portanto, a data não se tornou, por esse caminho, um feriado nacional nem uma comemoração instituída por lei federal.
A existência do Dia do Saci não precisa ser interpretada como uma proibição ou oposição obrigatória ao Halloween. As duas celebrações podem ser oportunidades para conhecer diferentes tradições, ampliar o contato com o folclore e estimular atividades culturais.
No Brasil, essa aproximação também permite apresentar personagens como Curupira, Boitatá, Iara, Cuca e Saci a públicos que já demonstram interesse por histórias de mistério e fantasia.
Minas Gerais: entre festas temáticas, patrimônio e histórias de assombração
Em Minas Gerais, o Halloween encontra um cenário cultural diversificado. A presença de cidades históricas, espaços culturais, manifestações artísticas e narrativas populares oferece diferentes possibilidades de interpretação da data.
Em Belo Horizonte, a programação de 2026 reuniu festas temáticas, música, concursos de fantasias, atividades infantis e eventos em estabelecimentos de entretenimento. Entre as iniciativas divulgadas estavam atividades da Forja Taverna e do Play Bar, com propostas voltadas a públicos distintos.
A programação da Forja Taverna foi associada a uma ambientação medieval, apresentações artísticas e concurso de fantasias. Já o Play Bar anunciou atividades como desfile de fantasias, pintura facial, brincadeiras e atrações infantis.
Em Contagem, a Estação Bernardo Monteiro recebeu a programação A Noite na Estação, que aproximou o universo do terror da produção artística. A iniciativa incluiu visita mediada, contação de histórias, exibição de curtas-metragens — majoritariamente brasileiros — e uma mostra com trabalhos de pintura, fotografia e desenho.
A programação também incluiu uma oficina gratuita de criação de lanternas de abóbora em papel machê, direcionada a pessoas a partir de 15 anos. A atividade foi proposta como oportunidade de trabalhar a criatividade e apresentar a história desse símbolo tradicional do Halloween.
A iniciativa foi realizada pela Prefeitura de Contagem em parceria com o Viaduto das Artes. Segundo a produtora executiva Vithoria Ednere, a proposta também buscou aproximar as histórias de assombração da memória e do imaginário popular.
Em Sabará, o Solar do Padre Correa integrou a programação de Halloween com a apresentação assombro / PREMOLAR, vinculada à mostra de arte experimental ASSOMBRO. O evento foi anunciado para 31 de outubro, com entrada gratuita.
A escolha de um espaço histórico como cenário para uma atividade ligada ao imaginário do terror cria uma aproximação entre patrimônio, arte contemporânea e narrativas de mistério. É um exemplo de como a celebração pode dialogar com características dos lugares onde acontece, sem se limitar à reprodução de modelos de festas estrangeiras.
No Triângulo Mineiro, Uberaba também teve atividades voltadas ao público infantil e adulto. Entre elas, foi anunciado um desfile de fantasias no Shopping Uberaba, aberto a crianças, adultos e animais de estimação, com participação mediante doação de alimento não perecível. A cidade também recebeu festas noturnas com decoração temática, música, DJs e concursos de fantasias.
Já em São Tomé das Letras, no Sul de Minas, o evento Véu Experience — edição Halloween — foi anunciado para os dias 31 de outubro e 1º de novembro, reunindo música eletrônica, natureza e ambientação temática no Complexo de Cachoeiras Véu de Noiva.
Essas iniciativas mostram que o Halloween não se limita a uma única forma de comemoração. A data pode ser explorada como atividade de lazer, experiência artística, programação turística e oportunidade de ocupação cultural de espaços públicos e privados.
As programações mencionadas foram divulgadas para 2026 e representam iniciativas específicas, não um levantamento completo de todas as celebrações realizadas no estado.
O imaginário das assombrações e a memória cultural mineira
A relação entre Minas Gerais e as histórias de assombração oferece outro caminho para compreender a presença do Halloween no estado.
Narrativas sobre aparições, lugares misteriosos, personagens lendários e acontecimentos inexplicáveis fazem parte de diferentes tradições orais brasileiras. Em Minas, essas histórias circulam em comunidades, famílias, relatos populares e produções culturais.
O patrimônio histórico de cidades como Ouro Preto, Mariana, Sabará, São João del-Rei e Diamantina também oferece cenários que despertam interesse por narrativas de mistério. Igrejas, casarões, ruas antigas, antigas áreas de mineração e construções coloniais fazem parte de paisagens que frequentemente aparecem em histórias e representações artísticas relacionadas ao passado.
É necessário, entretanto, distinguir o valor cultural dessas narrativas da comprovação histórica de acontecimentos sobrenaturais. Uma lenda pode ser importante para a memória de uma comunidade sem que seu conteúdo seja comprovado documentalmente.
O mesmo cuidado vale para histórias de fantasmas associadas a construções históricas. Elas podem revelar como determinado lugar é lembrado, imaginado e transmitido entre gerações, mas não devem ser apresentadas como fatos históricos sem documentação.
Nesse sentido, o Halloween pode funcionar como uma oportunidade para explorar não apenas o terror importado do cinema, mas também as histórias populares brasileiras e mineiras, respeitando suas origens, versões e contextos.
Uma celebração que atravessa culturas e gerações
A trajetória do Halloween mostra como uma celebração pode mudar de significado ao longo do tempo. O que esteve relacionado a antigas tradições sazonais europeias passou por transformações religiosas, atravessou o Atlântico com movimentos migratórios e encontrou nos Estados Unidos um ambiente para desenvolver os formatos que se tornaram conhecidos mundialmente.
O cinema, a televisão, a animação e a indústria do entretenimento contribuíram para transformar a data em uma experiência cultural compartilhada por diferentes gerações.
Em Minas Gerais, a comemoração aparece em festas, atividades educativas, eventos artísticos e experiências turísticas. Ao mesmo tempo, a data abre espaço para uma reflexão sobre o próprio patrimônio cultural brasileiro, suas lendas e personagens.
Entre as antigas fogueiras do Samhain, as abóboras iluminadas, os personagens do cinema e as histórias de assombração transmitidas oralmente, o Halloween revela uma trajetória marcada por encontros e transformações culturais.
Mais do que uma noite dedicada ao medo, o 31 de outubro pode ser uma oportunidade para conhecer histórias, revisitar tradições e descobrir como diferentes sociedades lidam com o mistério, a memória e o imaginário.




